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Profissional

Viviane Mosé

É capixaba e vive no Rio desde 1992. É psicóloga e psicanalista, especialista em Elaboração e implementação de políticas públicas pela Universidade Federal do Espírito Santo.

Mestra e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autora do livro Stela do Patrocínio -Reino dos bichos e dos animais é o meu nome, publicado pela Azougue Editorial e indicado ao prêmio Jabuti de 2002, na categoria psicologia e educação.

Organizou, junto com Chaim Katz e Daniel Kupermam o livro Beleza, feiura e psicanálise (Contracapa, 2004). Participou da coletânea de artigos filosóficos, Assim Falou Nietzsche (Sette Letras, UFOP, 1999). Publicou em 2005, sua tese de doutorado, Nietzsche e a grande política da linguagem, pela editora Civilização Brasileira. Escreveu e apresentou, em 2005 e 2006, o quadro Ser ou não ser, no Fantástisco, onde trazia temas de filosofia para uma linguagem cotidiana.

Como poeta, publicou seu primeiro livro individual em Vitória, ES, Escritos, (Ímã e UFES, 1990). Publicou, no Rio, Toda Palavra, (1997), e Pensamento Chão (2001), ambos reeditados pela Record em 2006 e 2007. E Desato (Record, 2006). Participou em 1999 do livro Imagem Escrita (Graal, 1999), coletânea de artistas plásticos e poetas, em parceria com o artista plástico Daniel Senise. Seus poemas foram tema da Coleção Palavra, de estilistas de Oestudio Costura, que desfilou no Fashion Rio de 2003.
É autora dos textos poéticos da personagem Camila no filme Nome Próprio de Murilo Salles, (2008). Tem alguns de seus poemas musicados, é parceira da cantora Martnália em duas músicas, Contradição e Você não me balança mais, que foram gravadas por ela e por Emílio Santiago, em seu último disco.

Participou de diversos eventos de poesia como a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, Feira do Livro de Fortaleza, Feira do Livro de Porto Alegre, Festival de Inverno de Ouro Preto, Festival de Teatro de São José do Rio Preto, Rio Cena Contemporânea, Festival Carioca de Poesia, Bienal Internacional de poesia de Brasília, entre outros.
Temas das Palestras

A MUDANÇA DE VALORES NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Os valores são históricos e mudam com as culturas, e nascem da necessidade de controlar a natureza, as paixões, o mundo. Partindo de uma análise filosófica, do surgimento dos valores que fundamentaram e guiaram nossa cultura, buscamos avaliar as mudanças que o mundo contemporâneo exige. A ordem, a estabilidade, o equilíbrio, a coerência, a verdade, a unidade do eu, eram valores que norteavam nossas ações. Graças, não somente às novas tecnologias, mas a diversos outros fatores que marcaram a história do pensamento, a maioria das coisas que sabíamos ou achávamos que sabíamos, caiu, nas últimas décadas, por terra.

Se a ideia de verdade foi o valor predominante nos séculos anteriores, hoje nossa civilização se vê obrigada a lidar com a mudança. E o homem, como o homem moderno tem lidado com tudo isso? Estaremos diante de uma nova subjetividade? Uma nova sociedade? Utilizamos as perspectivas dos filósofos Michel Foucault e Nietzsche.

OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO NA NOVA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO

Se as informações que necessitamos em nosso dia a dia estão cada vez mais disponíveis na memória de um aparelho celular, qual o destino de nossa própria memória? Para que decorar uma infinidade de coisas, se o acesso ás informações é cada vez maior, e se podemos contar com super-potentes memórias de bolso? Afinal, diante das imensas transformações que caracterizam o mundo contemporâneo, o que se torna fundamental aprender? Que tipo de conteúdos a escola deve ensinar? Em uma sociedade em que cada vez mais as máquinas fazem o trabalho manual e mental, resta a atividade em que o homem é imprescindível e essencial: criar. Inovação, criatividade, atitude, são moedas de alto valor na sociedade que se configura.

Além disso, com as constantes inovações, próprias da era tecnológica, é fundamental aprender a aprender, para que o processo educativo permaneça depois da escola. A invasão de informações também deve ser filtrada e processada, por isto é essencial desenvolver métodos de pesquisa. Estas são algumas das inúmeras questões que precisamos pensar, quando educamos no mundo contemporâneo.

ÉTICA: AUTONOMIA E RESPONSABILIDADE

Ética é um dos temas mais caros ao mundo contemporâneo. Depois da falência dos grandes eixos morais, como a idéia de um bem universal, de verdade científica ou religiosa, assim como com o advento das grandes lutas sociais como a revolução feminista, o movimento gay, etc, os valores universais foram perdendo a validade. Hoje, com a imensa mudança de meios, diante de um mundo que ao mesmo tempo desaba e floresce, resta ao homem decidir, em cada ação, que postura tomar.

Se antes consultávamos um manual do certo e do errado, hoje devemos pensar, elaborar, decidir que caminho trilharemos, e isto exige, não alguém passivo, que siga regras, mas alguém capaz de atitude e transparência. A ética exige autonomia e responsabilidade. Uma atitude ética é aquela que considera o entorno.

O VALOR DA MUDANÇA

Nossa cultura não nos incentiva a lutar, mas a chorar, a nos vitimar. Valorizamos e protegemos os fracos ao mesmo tempo criticamos os ousados, criativos. Consideramos o trabalho uma penalidade, e nosso sonho maior é sempre descansar. Mas a vida é sempre o resultado de uma luta. O fim da luta é a morte.

E criar, a grande redenção. Utilizamos os filósofos Nietzsche e Espinoza. Falamos sobre a força de viver que move todas as coisas, ressaltando a importância dos obstáculos, das barreiras, para o aumento de vida. Estar alegre é estar acrescido de força, aumentado, e este acréscimo vem da superação dos obstáculos. Buscar novos desafios é intensificar a vida, aumentar sua força; em outras palavras, produzir alegria. A usina hidrelétrica é usada como metáfora para pensar a multiplicação da força a partir do obstáculo.

CRIATIVIDADE: A ARTE E A VIDA

Para Nietzsche criar, mais do que um gesto individual, é um processo de integração e participação na vida. A vida cria em suas constantes transformações, em seu eterno jogo de vida e morte. Ao homem cabe dizer sim ou não a este processo, isto o define como homem. Ao dizer sim ao que os gregos chamavam de devir, o vir-a-ser constante das coisas, o homem se vê inserido em um processo que necessariamente leva à criação.

Criar é suportar as contradições e intensidades da vida no corpo, é transformar em signo este movimento excessivo que é viver. Mas o rumo que nossa cultura ocidental tomou foi outro, ela separou e opôs o bem e o mal, o corpo e alma, o acerto e o erro, o belo e feio. Estimular a criatividade envolve, mais do que identificar gênios criativos, reconstruir, reinventar os laços do homem com a vida. Esta palestra tem um efeito bastante estimulador para os que trabalham com a área de criação nas empresas e pode ser acompanhada por uma oficina literária (ver oficina literária).